quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nanda -Carrara


Raras agora, após tantas
alas...poucas há neste ato
de fato pois nunca
voaram. Embora vivam
o sonho há tantas
horas...sonhado.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dueto das bailarinas aladas- Carrara



Há coisas que estão muito além da minha compreensão.
Qual será a verdadeira razão para tudo isso?
Estorvos que não servem para nada.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Auto-retrato. Não autorizado.


Óleo sobre tela. Sem data sem assinatura sem maiores explicações...e
sem nariz?

sábado, 19 de setembro de 2009

Terraço de Café à Noite.


"É tão fácil pintar um bom quadro como

encontrar um diamante ou uma pérola.

Significa obstáculos e você arrisca

sua vida por isso".


Vincent Van Gogh.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Princípio 1


Passei quase uma década longe do meu atelier. Durante esse tempo meu lugar de trabalho se transformou em sede de reuniões do Lions juvenil. Não sei se é exatamente esse o título do grupo e a gurizada ocupou o espaço sem deixar maiores rastros. Assim que saí deixei a figura do Giramundo suspensa pelo braço de arame na parede.

Quando voltei ele estava exatamente no mesmo lugar, porém com o acréscimo de um pequeno cartaz onde se lê: " Princípio 1 - Interesse-se sinceramente pelas outras pessoas".


O vagabundo nunca esteve tão apropriadamente colocado. Há mais de duas décadas ele ostenta seus andrajos nessa mesma parede, da metade deste tempo para cá, uma frase de múltíplos sentidos coloca-o numa dimensão acima das vaidades humanas.


Não sei qual dos jovens teve essa ideia. Talvez tenha sido uma coincidência, ou uma atitude juvenil movida pela curiosidade meramente especulativa. Na verdade isso não importa, o Giramundo adquiriu seu espaço. Penso que há coisas inexplicáveis fazendo parte de resultados. Pequenas coisas, mas por onde o mundo gira.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sonho entre sombras-Repouso de Helena-Carrara


Poucas vezes consegui materializar um sonho. Tanto quanto este dentre as sombras enquanto procurava por "Tarc". Te conheci numa escalada infinita e te trouxe para a realidade. Ainda repousas entre as brumas, como num sonho.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Giramundo vagabundo. Madeira-arame-bandagens.


Uma frase de Lin Yutang ecoa em minha memória: " O vagabundo sempre será imune às ditaduras". Na verdade a frase não é assim, pois não lembro integralmente. O livro "A importância de viver" é um baú de tesouros. Vou pedir ajuda à minha amiga Helena Erthal que é a única pessoa na galáxia que posso afirmar que além de mim, leu este livro. Ela certamente poderá corrigir a frase, mas o sentido é mais ou menos esse é o espírito livre do vagabundo que nos torna protegidos das ditaduras.


Essa peça de 1983 sintetiza as minhas ideias em torno da figura. Como posso transformar uma única obra em dois conceitos antagônicos. Giramundo é duas personalidades é um poeta e um vagabundo. Como poeta ele recebeu o tratamento nobre do bronze, viajou pelo mundo até se fixar numa coleção na Itália. Como vagabundo ele se mantém sob minha guarda. Seus farrapos dia a dia perdem partículas que alimentam traças. Toda vez que por descuido lhe toco, ele solta em meus olhos o pó de duas décadas. Entretanto essa é a forma que mais admiro e respeito. É como eu lhe dei a vida, Giramundo vagabundo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Avant Garde.- Ricardo Kersting e Nani


Na verdade a gente nunca tem a noção exata da importância que se representa para alguém.

Engraçado era ouvir nossos nomes vinculados a movimentos de vanguarda para outras pessoas parecíamos extra terrestres. Podíamos rir de todas situações e algumas atitudes nossas eram tidas como excêntricas, mas copiadas em muitos casos.


O que não nos ensinaram, se tentaram ensinar, certamente não aprendemos, era como lidar com coisas que escapavam tão fácil do nosso controle. A estampa vanguardista de repente se tornava pejo, apenas uma lembrança dos tempos de estudantes irreverentes, para rapidamente nos tornarmos ilustres desconhecidos, arremedos de ícones e finalmente marginalizados.


Fico impressionado ao perceber que em tão pouco tempo o mundinho das artes numa cidade grande fica estreito, rarefeito e elitizado. Neste englobar, muitos talentos se perdem muitos desistem antes de alcançar algum sucesso. Alguns se tornam conhecidos noutras paragens e isso é muito comum. Mas a maioria vira joguete nas mãos dos poderosos, impotentes tentando sobreviver à exploração moral e econômica.


"Ontem todos os meus problemas pareciam distantes". Paul McCartney.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A obra acabada.- Doris. Mármore do Espírito Santo.


Passei grande parte da minha estrada buscando o acabamento perfeito, o brilho, a luminosidade resplandecente ao ponto de refletir a incredulidade dos observadores. Quanto tempo perdido. Se o polimento significasse uma arte final teríamos que pensar em colocar os melhores porcelanatos em galerias de arte. Não somente como piso, mas como obras de arte prontas para o consumo. Ao estudar a escultura aprendi a valorizar a intenção do artista, não apenas o acabamento visível, mas principalmente tudo aquilo que ele deixou de "fazer" em seu trabalho e os motivos pelos quais ele assim procedeu.


Atrás da conclusão de uma obra, se esconde a essência da mesma. Muitas vezes o escultor entende que a peça, aparentemente inacabada, já cumpriu o seu objetivo. Ele imprimiu em suas formas tudo o que fazia parte de seu projeto. Quaisquer cortes, aprofundamentos, polimentos ou outro procedimento estariam tangenciando o excesso. A suposta falta não pode ser questionada, e nem é detectada por alguém alheio à concepção da obra, até porque isto pode nem ter passado pela cabeça do artista. Mas o excesso sim. Além de ser facilmente percebido, quase sempre denuncia a imperícia e a falta de domínio.


Não quero ficar criticando aqueles que buscam aprimorar o polimento de suas obras, são julgamentos exclusivos de cada escultor. Entretanto, da minha parte quero me dedicar mais profundamente às formas. A pedra tem que estar sob meu comando e nela vou gravar aquilo que compreendo como parte essencial da minha escultura.


Se o polimento fosse tão importante assim, poucas peças de Rodin, Michelangelo, Brancusi, Picasso, Moore e outros seriam consideradas concluídas.

domingo, 6 de setembro de 2009

Saudade


Das noites movidas à arte, Vernissages e a

música rolando. Final dos anos 80, era só para quem

sabia.

Essa turma da "pensada" que a vida tratou de unir

também por outros assuntos separou.


Da esquerda para esquerda (sempre): Ricardo Simsen, Marilha,

Dagoberto Soulué e eu.

A pessoa com quem estou falando, não faço a menor ideia quem

seja. Eram coisas que aconteciam depois das aberturas e das

fechaduras...

sábado, 5 de setembro de 2009

Touro de Miúra -Carrara


Algumas peças me frustram e eu as amaldiçôo.

Esta é uma delas.

Ficará morta entre a enorme coleção das inacabadas.

Toscas, abortadas....perdidas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Espaço vazio e o movimento futuro.


Afinal, o que é a escultura?


É uma pergunta subjetiva e ao mesmo tempo óbvia. Mas a resposta não existe.

Podemos afirmar que alguma coisa é escultura ou não, mas fora a definição de escultura, o que ela é mesmo? Eu não sei. Eu sei o que é a pintura, é a impressão de tinta sobre uma superfície.


A escultura é o espaço negativo, ou o "não espaço". Se existir um buraco no espaço, este buraco é a escultura. A obra escultórica é o preenchimento do espaço, ou a simples eliminação dele. A escultura não cria o espaço, pelo contrário, elimina o espaço existente. Entretanto a composição de uma peça necessita além do espaço inexistente, uma parte de "espaço vazio" que seria em última análise, o espaço positivo ou espaço real. A forma da escultura possue o espaço, ou joga com ele como se o mesmo fizesse parte material do conjunto. Estes espaços sempre interferem no efeito visual da obra, pois todo vazio pode ser preenchido, por luz ou por sombra.


A ideia de espaço vazio sempre foi a pedra no sapato de muitos escultores. Alguns não sabem o significado dessa equação e acabam interrompendo o movimento da obra de forma abrupta, o que determina uma peça sem harmonia. A questão de deixar uma escultura sem uma parte física, não significa que ela ficará incompleta ou sem movimento.


Imaginemos uma escultura famosa tipo a Vênus. O que falta nessa obra? Eu diria que nada, mas aposto que muitos pensariam nos braços. De fato a Vênus de Milo não tem os braços, mas e daí? Precisa tê-los? Claro que não, até acho que a nossa bela mulher ficaria muito estranha se aquele "espaço vazio" fosse preenchido. A partir de Auguste Rodin podemos criar um movimento sem que ele realmente tenha acontecido. É o movimento futuro. Mas que para isso seja possível, devemos prever um espaço onde este movimento caiba. Nada mais simples, um espaço vazio para um movimento futuro. Mas onde acontece este preenchimento de espaço vazio com um movimento futuro? É exatamente na estrutura da obra onde a "construção muscular anuncia que aquele espaço vazio será ocupado por uma forma em movimento, mesmo que isso nunca venha a acontecer fisicamente".


Essa é uma das partes mais interessantes e dificeis da escultura, fazer com que ela tenha movimento de membros sem precisar fazê-los. Então podemos afirmar que a Vênus de Milo tem braços, só que eles não aparecem. E nem precisa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Fragmentos-Mármore do Espírito Santo


Para encerrar um agosto nada convencional....



"Só por curiosidade ou por simples negligência resolvi reunir
pedaços de obras inacabadas e abortadas numa pequena coleção.
Quando percebi, essa coleção já se tornava uma das maiores que eu
pude conceber. Compreendi então que muitos fragmentos
eram parte importante do meu trabalho, não somente pela quantidade,
mas muito mais pelos projetos perdidos e ideias não aproveitadas que seriam
inseridas em outras obras importantes para minha trajetória.


Os fragmentos de nossa existência não devem influir nas caminhadas futuras,
no entanto, também não devem ser descartados, pois constituíram um momento
e certamente ajudaram muito na correção de alguns cursos.


Meu caminho não seria nada sem aquilo que deixei de fazer.
São alicerces invisíveis, porém aglutinadores de tudo que eu sou hoje".

sábado, 29 de agosto de 2009

Ainda o tempo-Mármore do Espírito Santo


Tempo que expõe suas verdades na calçada.

Parece tudo normal.

Normal é envelhecer ainda no caminho

de ser velho.

Velho?

É aquele que deixou de sonhar e

aposentou suas aspirações.

Eu quero sorrir, só isso.

Continuar caminhando com a minha cabeça

entre as orelhas,

com a minha visão e

tudo que vou aprender.