quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cabeça de Fauno - Mármore 1996


Quando terminei essa peça imaginei ter conseguido sintetizar algumas ideias
interessantes para um tipo de composição no mínimo "estranha".
Me surpreendi com a reação negativa e até hoje não consigo aceitar..
O preconceito funcionou a todo vapor nesse caso..
Tenho certeza que o problema não estava exatamente contido
na escultura e nem em seu conceito, mas na assinatura da obra.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mulher com criança - Bronze 2006



Uma imagem apenas. Nada pode ser mais
significativo neste momento.

domingo, 22 de novembro de 2009

Homem moderno. Alumínio 1983. Uma autovisão.


A solidão é uma estrada pela qual todos teremos que andar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Unidas pelo vazio. Carrara


Uma questão abordada há algum tempo aqui neste blog
tratava exatamente desse conceito importante na escultura, o espaço.
O espaço é confundido frequentemente com ausência.
São grandezas distintas, começando que realmente a ausência absoluta
é impossível, enquanto o espaço é o todo possível na materialidade.
Concluindo: é tudo que existe.

Mas o vazio, ausência de matéria, tem uma importância igual ou superior
ao material completo no caso da escultura. Isso fica patente nessa pequena
peça acima.. Dois volumes essenciais unidos pelo vazio igualmente essencial
na concepção da obra. Sem essa união essa pequenina obra perderia o que
tem de maior, a força..

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Interferências da cor.



Sobre os "Pássaros Cibernéticos", esperava que as dobraduras em
sequência, fossem suficientes para alterar o efeito estético ao
todo na concepção das obras. No entanto, ao colocar "cor" em algumas
peças verifiquei uma alternância volumétrica espontânea, independente
da incidência de luz.. Essa interferência criou um espaço restrito
às próprias peças facilitando a identificação dos volumes.

Tanto na visão real quanto em fotos o resultado é interessante..
Independente da cor ou tipo de pintura, o efeito é instantâneo e objetivo.

A dúvida agora é saber até quanto essa interferência colabora com
a totalidade da mostra..A cor natural em algumas peças é essencial, noutras
a pintura parece se ancaixar perfeitamente..

Mais uma pequisa, mais um desafio..

sábado, 14 de novembro de 2009

Pássaros Cibernéticos - Da série Áquilas Formas.



Todas as peças desta mostra foram executadas a partir de material reciclado.. Chapas galvanizadas encontradas no lixo de uma obra.. A ideia é contrapor volumes através de consecutivas dobraduras..O tema são pássaros futuristas que se "autocriariam" numa alusão ao desconhecimento que temos em relação ao futuro do nosso lixo e sua reutilização. A mostra tem a pretensão de abrir uma discussão sobre o momento em que não teremos mais como processar nossos descartáveis..Podemos supor que de forma fantástica, o próprio lixo consiga se reciclar.. Como ficção ou humor mórbido, não seria nada tão extraordinário se pedaços de chapas, parafusos, peças de máquinas etc. se autotransformassem em animais robóticos..
"Pássaros Cibernéticos" é uma visão resultante deste pensamento..Simplório? Engraçado? Infantil? Exagerado? Eu não sei!! alguém sabe?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Portal das Águas - Granito cinza. 2005


Portal das Águas ficara esquecido dentre peças inacabadas..
Hoje quando cheguei no atelier não sei bem porque olhei para
um canto escondido..Ali havia uma quantidade apreciável de pedaços de peças,
algumas inteiras ou quase acabadas.
O portal era uma das primeiras peças na boca de um... buraco.
Não gosto de valorizar coincidências, nem outros eventos que fogem do meu controle...mas estou feliz por reencontrar essa obra.
Gosto muito dela.
A propósito das obras "jogadas" no terreno do atelier.
Estão muito bem ali..

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Portal das Eras. Arenito e bronze.



Esse é um dos portais que mais me agrada. Não tanto pelo significado, mas pela escultura em si..Penso que essa peça reúne o essencial estético, sem excessos e sintetiza a ideia naturalmente.. Os portais foram peças nascidas de um pensamento atemporal, em nenhum momento pesou sobre os projetos qualquer conceito estético, no entanto, o resultado é satisfatório sob todos os aspectos..Coisas que costumo atribuir ao acaso, porém sei que nem tudo pode ser colocado dessa forma..Às vezes aquilo que julgamos acontecer por acaso na verdade recebeu sua maturação longe do nosso olhar..Não vimos, portanto não conhecemos, mas não quer dizer que não exista.

Pode ser um pensamento...mágico! mas acho que os portais aconteceram cada um em seu momento, sem a minha ou qualquer outra interferência..Penso que fui apenas um instrumento nesse processo.. Quando olho para eles tenho certeza absoluta.. Estou muito feliz por isso..

sábado, 7 de novembro de 2009

Guardiã-Arame madeira e fibra de vidro - 1989


Não tenho tantas razões para passar em silêncio
em frente às portas que nunca abriram..
Algumas são como estrelas,
talvez nem existam mais..
Nem quero ficar de pé à beira
da loucura...talvez nem tenha mais
tempo para enlouquecer..

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bailarinas em movimento - Bronze 2007


E ao fundo..uma cidade desconhecida onde jaz
perdida a ilusão de uma juventude inteira..

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mãos - Fibra de vidro



Neste estudo sobre "A Capela" de Rodin, minhas
mãos posaram para mim...
Não poderiam ser outras mãos.

"Quero sentir minhas mãos tocando
as mãos de Auguste Rodin".

Desconstrução vegetal-Instalação 1995


Em tempos de Bienal do Mercosul voltamos quase que de forma clandestina, a refutar as obras contemporâneas.. Não frontalmente, mas há um ranço velado, se é que isso é possível, uma crítica descompromissada à contemporaneidade... Pessoalmente não tenho nada contra às obras de cunho conceitual, também nada me afeta as instalações..No entanto, sou obrigado a concordar com algumas broncas que tenho lido e ouvido por aí..

A instalação tem que obrigatoriamente obedecer alguns princípios básicos para que ela se caracterize..Estou falando em termos absolutamente "anticrítico" para que todo mundo entenda...Geralmente uma obra desse formato recebe uma franquia de espaço especialmente programada para ela, seja, o artista tem um limite espacial um pouco maior ou mais generoso que as outras manifestações.. Alguns entendidos afirmam que esse espaço não precisa ser ocupado em toda sua extensão.. Engano!! O espaço tem que ser ocupado SIM, nem que seja com mais espaço..Aí já começa a haver uma discussão que não tem nada a ver com a discussão que a própria instalação deve propor.

Então o espaço ocupado caracteriza a instalação, e esta tem que proporcionar ao espectador um direcionamento quanto à leitura.. Se o artista precisa de um tratado para explicar a sua obra, devo dizer que infelizmente ele fracassou...Há um procedimento muito utilizado ultimamente que é aquele do sujeito soltar por uma sala um milhão de coisas iguais.. Para isso ser uma obra legível, é necessária identificação dos objetos com a intenção do artista e um plano de leitura para que o espectador não corra o risco de olhar e não ver nada.

Infelizmente o que mais tem acontecido, é o cara escurecer uma sala e no fundo dela colocar um pequeno monitor com uma imagem repetitiva e um áudio chatíssimo...A primeira coisa que eu penso quando vejo isso é sair em busca do autor para que ele tente explicar a sua ideia...Nunca consigo fazer isso, mas também acho que não adiantaria.

Uma instalação "Desconstrução Vegetal" Na verdade a tentativa frustrada de reconstruír uma árvore.. Pelo menos foi essa a minha ideia.. Madeira torneada e as cascas da própria falecida...Esse o material que utilizei.. O formato obedece um planejamento prévio, que infelizmente não lembro mais qual é...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Portal dos Guerreiros-Arenito e bronze. 2001



Portal dos Guerreiros foi o primeiro portal da série..
Inicialmente pensei em criar uma imagem para um deus da Guerra.
Me veio à lembrança a figura de Taclac o deus da guerra do
império de Atlântida.. Mas não encontrei nenhuma evidência ou
referência a esse deus na lenda da civilização perdida.

Então ao criar o primeiro portal que deveria simbolizar um deus
guerreiro, resolvi homenagear a todos os guerreiros.. Há dois
signos interessantes nesse portal..Um é uma parábola dividida
no centro que desde primórdios é utilizada como símbolo feminino.
O segundo é um labirinto que em princípio não tem ligação alguma
com a guerra, mas sim com a cultura e a sabedoria..

Esse suposto paradoxo é encontrado em diversos locais antigos que
eram usados como santuários... Estes três elementos, o guerreiro,
a sabedoria e a mulher, eram sempre representados num mesmo nível
de importância.

O Portal dos Guerreiros, a primeira peça da série dos portais..
Uma coleção de difícil compreensão e pior ainda, aceitação pelo
público, mas talvez a série com a qual eu mais me identifique...