sábado, 11 de julho de 2009

Arte


Arte não é o resultado de um trabalho, por mais complexo que ele seja.

É a manifestação sobre o ser humano independente de sua vontade. Uma escultura, pintura, gravura ou performance são objetos ou atitudes como quaisquer outras. A arte é a força que fez com que essas obras existissem. A arte aconteceu enquanto o homem as produzia. Há uma tendência de chamarmos artista a qualquer pessoa que lida com algum produto dessa atividade. Para alguém se tornar um artista, não basta estudar arte. Isso somente lhe dará algum conhecimento sobre alguma técnica que irá lhe proporcionar habilidade para produzir algum objeto. Durante essa produção a arte se manifestará, mas se isso o tornará um artista, não sabemos. Um artista não cria apenas uma obra. Ele cria um novo pensamento sobre determinada vertente. Tem uma trajetória e durante essa ele estabelece conceitos e parâmetros. Estes elementos serão objetos de estudo, traçarão outros caminhos determinando divisores de linguagens. Poucos chegam nesse patamar. Alguns são chamados de gênios, outros são lembrados por sua trajetória e suas obras.


Uma certeza podemos ter, quando Vincent Van Gogh criou o "Girassóis", não estava pensando em decorar nenhum aposento com ele.

A arte estava em Van Gogh, suas pinturas são o resultado dessa manifestação. São obras "da arte", feitas por um "artista".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Repouso de Helena-Carrara (Detalhe)


Teu rosto sereno parece encoberto pelas brumas.

Como uma flor, sem pétalas, sem cor e nem perfume.


Só o silêncio.

domingo, 7 de junho de 2009

Bailarina alada-Mármore


A série "Mulheres Aladas" acabou engolindo parte de outras séries. Um exemplo "As Bailarinas" agora também ganharam asas. Na verdade penso que já tinham, mas só há pouco começaram a voar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Íris - Peça da série: Mulheres Aladas. Mármore.


Íris, a correpondente feminina de Hermes. Além de mensageira das deusas, Iris também é considerada a irmã e mãe das harpias. Mãe adotiva, pois sabemos que a verdadeira mãe das harpias é outra deusa. A simpática Electra.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ocípede. Mármore do Espírito Santo.


Ocípede, uma das Harpias. A única para quem os mortais podiam olhar sem desmaiarem de terror. Os gregos não acreditavam num ser totalmente horrendo. Compensando a cabeça demoníaca, as Harpias ostentavam um belíssimo corpo sobre patas de pássaro.
Peça da série "Mulheres Aladas"

domingo, 17 de maio de 2009

Formações II-Mármore-Matéria imutável.


Resgatei alguns abstratos antigos para continuar minando meus conceitos. De propósito.
A série formações teve uma vida curta, as vendas foram inexpressivas. No entanto há muitas ideias interessantes e uma delas eu coloco nessa postagem. Nunca abandono as soluções antigas. Minha cabeça era outra, meu estágio profissional idem. Nada indica que elas venham funcionar nos dias de hoje, mas quem sabe? Sempre voltamos na esperança de reeditar bons momentos. Porém tudo mudou incluindo nós mesmos. Na escultura a volta é mais frequente ainda. Isso se deve à natureza perene das obras, sobretudo as de pedra. A matéria não muda. Também não muda a linguagem da arte que segue uma linha reta ao infinito. E nessa linha há muitos trechos em que precisamos voltar um pouco para podermos prosseguir.

sábado, 16 de maio de 2009

Sila - Da série "Mulheres Aladas". Mármore do E.S.

Essa peça "Sila", abre uma nova fase da série "Mulheres Aladas". O despojamento e formas mais simplificadas são as marcas mais fortes desse trabalho. Entretanto, a busca de um conteúdo complexo continua. A simplificação de formas não significa que a série tenha perdido a sua identidade que é exatamente o compromisso com o movimento.

As possibilidades estéticas dessa forma menos densa das peças, crescem na medida que não há um limite predeterminado. A simetria que supostamente existe numa obra estritamente figurativa, fica vinculada apenas na harmonia dos traços que é uma aliada do escultor quando este não tem que se preocupar com a proporção.

Conclusão: começo a gostar muito dessa série. Parece inesgotável. Ainda bem..

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Aplauso para quem sabe.


Ao realizar a coleção "Grito dos Aflitos", precisei de uma ajuda inestimável. Mestre Jorge Kersting esteve ao meu lado. Estava com uma dúvida, entre outras tantas. Viajei 500 quilometros, refleti dois anos e em cinco segundos ouvi a resposta. Puxa! era tão fácil, mas eu não iria descobrir nunca. Não vou me dar ao trabalho de entrar em detalhes, só digo que essa foto captou o momento em que eu aplaudi o mestre.

Um grande beijo meu pai, meu mestre e minha eterna gratidão.

sábado, 9 de maio de 2009

Nike. Mármore de Carrara- Ricardo Kersting


Nike dos Gregos, Vitória para os latinos. Deusa que protegia os exércitos, todas as vitórias foram dedicadas à ela. Inclusive a vitória de Pirro. Deuses para um lado, Deuses para o outro, no fundo tudo dependia mesmo da força dos soldados e da sagacidade dos comandantes. Por vezes a estupidez de alguns ajudava a decidir.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Abstrato II - Mármore de Carrara


Não esculpi muitos abstratos. Em várias ocasiões me detive ainda no começo da obra.

Não foram poucas as vezes que concluí que a pedra seria melhor aproveitada num figurativo.

Parece estranho um escultor escrever isso. Mas acontece mais do que se imagina.

Nem sempre o abstrato obedece um planejamento, ao contrário do figurativo que quase sempre depende de um modelo. O abstrato é mais intuitivo, inspirado e por isso mais espontâneo. Essa espontaneidade se transforma em arte mais rapidamente que o planejamento do figurativo. Nem sempre o figurativo é "arte". Por outro lado, o abstrato sempre remete o espectador para um lugar que eu costumo chamar de "entre a dúvida e a incerteza". Poucos se sentem seguros para criticar um abstrato, por mais desengonçado que ele pareça. Quanto ao figurativo, "o pau desce".


Bem, eu me sinto seguro no figurativo, bem mais do que no improvável, indecifrável abstrato.

Fiquei com a frase da Martha Von Maders martelando minha cabeça. "Amo o abstrato. Sempre revela o que queremos". É, as coisas mudam. Vou olhar os meus abstratos com mais carinho.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Abstrato. Mármore


Gosto do abstrato.

Por que? Condensa o figurativo.

Engraçado, eu sempre procuro uma imagem dentro do abstrato.

Mas abstrato é isso, não tem figuras e nem imagens.

Uma vez vi uma pintura abstrata. O autor colocou um título bem interessante.

Chamava-se; "A lagarta voadora". Estou até hoje procurando a lagarta naquela pintura. Vai ver ela já havia voado e ninguém percebeu.

Por essas e outras que eu esculpi esse abstrato e coloquei um título bem sugestivo. "Cabeça de Fauno". Para resolver o problema que encontrei com a lagarta, decidi colocar essa cabeça numa outra peça também abstrata. Ainda bem que não tenho foto dela.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A mão do escultor. - Mármore


Minha mão esquerda

recebe os mais variados tipos

de impacto

Mas depois também repousa.

Antes a tensão

e dor.

Basquiat Traços de uma vida. O Filme


Não costumo dar dicas de filmes! Até porque meu gosto não coaduna com a grande maioria!
Mas neste caso vou bancar o crítico e indicar sem medo; Basquiat Traços de uma vida.
A trajetória meteórica e devastadora de um dos mitos da pintura, Jean Michel Basquiat.
Negro, filho de haitianos, vivia nas ruas de uma Nova Iorque dos anos 80 repleta de
oportunidades e caminhos sem volta! Descoberto por Rene Ricard, chegou ao ápice de uma
carreira alucinante tornando-se um dos maiores artistas da Pop Arte então liderada por ícones
tal como Andy Warhol.
O filme é a estréia do diretor Julian Schnabel! No elenco Jeffrey Wright como Basquiat, Benício
Del Toro como Benny, o único amigo do pintor, o impagável David Bowie interpretando o papa
da Pop Arte Andy Warhol e ainda o grande Dennis Hopper como Bruno Bishofberger o comerciante de artes.


Na minha modesta opinião um grande filme, para quem gosta de biografias de artistas e claro para quem gosta de arte! Geralmente a vida dos grandes artistas nos remete para finais trágicos e esta não poderia ter outro desfecho! Mas vale a pena ver um pouco das coisas que acontecem numa trajetória artística! Ah sem esquecer a trilha sonora cheia de sucessos dos anos 80
e uma especial de Bob Dylan, It's all over now, baby blue. Que teve uma versão chamada Negro Amor, gravada por Gal Costa! Há quem diga que a versão é melhor que a original! Bobagem,
como diz a minha amiga Helena Erthal " Nada substitui o genuíno".