A arte genuína acabou?
Infelizmente no Brasil parece que sim!!
Mas uma pergunta não quer calar; Por qual razão?
Pessoalmente acrescentaria outra indagação; Quem
afinal se beneficia disso?
Sinceramente, ainda estou procurando as respostas.
É de alguns anos que diversos segmentos ligados aos setores
de construção civil vêm trabalhando para eliminar definitivamente
as produções artísticas do mercado. Estes segmentos recebem um
reforço adicional da indústria moveleira, dos decoradores e de forma
maciça da grande mídia. Mas afinal de contas, por quê?
No caso dos arquitetos, poderíamos dizer que é até compreensível
pois a maioria se acha artista, portanto é natural que tente
eliminar concorrências, mas no caso das outras áreas de atuação
sinceramente não dá para entender. Em alguns momentos essa atitude
chega beirar a discriminação e intolerância, para não dizer simples
ignorância. O cliente fica numa situação difícil. Para não demonstrar
seu completo desconhecimento do assunto, geralmente concorda inteiramente
com as esquisitices dos "arquidecoradores" municiados por edições
sistemáticas da imprensa, tidas e havidas como "últimas tendências"
portanto irrefutáveis...No final de tudo é bastante provável que
o incauto proprietário do imóvel tenha uma outra despesa com decoração
nos próximos meses, pois a "moda" é dinâmica, enquanto isso írá viver
sem poder usufruír do alimento espiritual e a aura cultural que
uma obra de arte genuína pode proporcionar. "Mas estamos colocando
no projeto diversos "objetos decorativos", para quê obra de arte?".
Sim, sabemos disso! objetos industrializados fabricados na China
e adquiridos em lojas especializadas.
Uma obra de arte genuína não pode nem deve concorrer com produtos dessa
categoria. Mas há a arte decorativa, a qual sinceramente não tenho
absolutamente nada contra, mas que também está deixando de ser uma opção.
Então está restando apenas paredes de casas vazias ou com espelhos de
todos tamanhos, pequenos objetos de vidro, posteres e uma imensa
variedade de artigos encontráveis em shoppings.
Não sei quem está ganhando com isso, mas certamente sei quem está perdendo,
são os consumidores de modo geral. Estes são condenados a viverem num
completo vazio artístico. Em princípio isso pode parecer que não traga
nenhuma consequência mais grave, mas traz sim e muitas.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Destino de modelo e obra.
Postado por
Ricardo Kersting

Danaide 1884-1885 Mármore.
Dizem que a própria Camille Claudel posou para essa obra.
Isso é perfeitamente possível, já que Rodin começou a esculpir
Danaide um ano após conhecê-la. Mas o que chama a atenção é
a semelhança entre o destino da obra e de seu modelo.
Danaide foi concebida inicialmente para ser uma das estrelas
da Porta do Inferno. Não se sabe exatamente as razões, mas
essa peça acabou excluída do projeto.
Durante os trabalhos para a Porta do Inferno, Camille entrou
definitivamente na vida do mestre, este tinha certamente muitos
planos para a jovem. O mesmo acontecia com Danaide. Era a peça
mais completa de todo o projeto. Assim como em Camille, o escultor
via nela, toda a síntese de sentimentos contraditórios que
expressavam a dor e sensualidade essenciais para a composição
de sua obra prima. Por trás dos olhos calmos de Camille, se
escondiam tormentas e sofrimentos indescritíveis e somente
Rodin conseguiu captá-los ainda em sua tenra origem.
Camille vive em Danaide, assim como certamente, Rodin vivera
nas duas. Dor e sensualidade andavam juntas nas mãos do mestre.
Ele afastou Danaide da obra, do atelier e de tudo aquilo
que projetava em seu futuro. A peça sobreviveu às tempestades
que aconteceriam poucos anos mais tarde, mas seguiria um
rumo inverso da grande obra, totalmente solitária.
Da mesma forma, Camille teve um destino semelhante.
Em pouco tempo tomaria um rumo isolado em meio à loucura
e a dor.
Camille e Danaide saíram juntas da vida de Rodin.
Talvez essa tenha sido a grande homenagem do mestre à sua
jovem amante.
Uma honra que poucos perceberam, mas que ninguém mais
recebera do grande artista.
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