sábado, 27 de dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Psiquê


Mármore do Espírito Santo
Psiquê foi a segunda peça da
série "Deusas". Todos esses
torsos tinham panejamento na parte inferior.
Ricardo Kersting

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Selêne - Carrara Ricardo Kersting


A sereia perdida enviou o seu canto inaudível, em busca do nascente, na esperança de se reencontrar.

domingo, 30 de novembro de 2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

"Nem" ser.

O simples respirar"nem" ser profundo
o tênue arfar apesar de oculto.
Deveria bastar para eu "nem" ser só! Um vulto.
Poderia "nem" ser só! E te encontrar.

Oculto o tênue bastar, para "nem" ser só simples
apesar de vulto, só ser profundo!
"Nem" respirar poderia, ser simples
deveria bastar.

Ricardo Kersting

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cabeça em mámore Constantin Brancusi

As pedras pensantes de Constantin Brancusi

O jovem Constantin Brancusi recém chegado a Paris, tratou de procurar urgentemente, um lugar para morar e um lugar para estudar! Não se sabe bem por que, mas o candidato a escultor não foi nada temeroso, como normalmente seria um jovem tímido vindo do interior da Romênia! Foi à luta!

Perguntou aqui, se informou ali, e decidiu-se por um atelier de Paris, onde despontava como responsável um tal Auguste Rodin! Até aí, corria tudo bem, nevava na capital francesa!


Brancusi saiu cedo do pequeno quarto onde estava hospedado, atravessou La Pont Neuf correu atrás de um bonde e finalmente chegou às portas do prédio onde funcionava o efervecente atelier de Rodin, Camille e companhia!

Qual não foi a sua surpresa, quando percebeu que não estava só em sua maratona matinal! Havia pelo menos umas 50 pessoas entre jovens moças e outros já de meia idade, esperando na calçada defronte ao famoso prédio! Constantin olhou para os lados, deu uns quatro passos para trás a fim de olhar o alto da porta central, para ver se havia algum engano de sua parte! Mas não, ele certificou-se lendo com certa dificuldade, " L'Atelier Villa des Brillants"!

Desfeito o suposto engano ficou de pé ao lado da porta olhando o movimento dos funcionários que começavam a chegar para o trabalho!

Num dado momento um homem vestindo um guarda-pó, começou a anotar os nomes das pessoas que ali estavam! Brancusi bem que tentou se adiantar, mas acabou ficando por último da fila para o questionário!

O homem do guarda-pó já demonstrava uma enorme exaustão ainda quando havia quatro ou cinco pessoas para entrevistar antes do romeno! Revirava os olhos, entortava a boca e suspirava a cada resposta dos entrevistados! Quando chegou a vez de Brancusi então, o homem estava nas últimas!

Fazia muito frio! Constantin agarrado na sua sacola, dava pulinhos para tentar manter a temperatura. O homem nem tentou decifrar o sobrenome do jovem, o primeiro nome já foi um pesadelo para ele, mesmo com toda a semelhança ao francês!

Aí então é que Constantin ficou sabendo a razão pela qual estavam aquelas pessoas a esperar com todo aquele frio! Era o "le jour d'entré dans l'atelier" Isso se passassem nos famosos testes de Auguste Rodin! O dia de entrar para o atelier, era conhecido em Paris! Até a imprensa especializada acorria ao local para divulgar a movimentação e os resultados! O próprio Rodin fazia questão de anunciar o nome dos candidatos aprovados!

Alguns nomes famosos já haviam passado pelas portas daquele prédio! Nomes como de Aristide Maillol, talvez o aluno cujo trabalho mais tenha se aproximado do grande mestre e a própria Camille Claudel, que infelizmente só ficou famosa meio século mais tarde!

Enfim chegara a vez de Constantin Brancusi, ninguém estava tão ansioso dentro daquele prédio!

O jovem agarrava com tanta força a sua sacola que os dedos já estavam ficando vermelhos!

Constantin colocou a sacola sobre a bancada, donde do outro lado sentado confortavelmente, estava o grande mestre observando o nervosismo do rapaz! Assim que o conteúdo precioso da sacola foi revelado, Rodin baixou os olhos e ergueu rapidamente até encontrar os do moço arregalados como dois dobrões!

-Mas o que é isso? Indagou o artista meio vermelho.

-Pedras senhor! Respondeu o garoto gaguejando.

-Que são pedras eu sei! Quero saber o que elas estão fazendo aqui na minha mesa?

-Bem senhor! Acho que elas estão aí.. pensando!

-Pensando? Essas pedras pensam? Perguntou Rodin já totalmente vermelho.

-Sim senhor elas pensam sim!

-Ah é? E o quê elas estão pensando agora?

-Bem! Eu não sei elas não me disseram ainda!

-Bom então pergunte!

-Para quem?

-Para as pedras ué! Gritou o mestre abrindo os braços.

-Perguntar o quê senhor?

-O quê que elas estão pensando, imbecil!

-Mas o senhor acredita mesmo que uma pedra possa pensar?

-Eu não, você é que pensa que elas pensam!

-Mas sou eu que penso então?

-Não idiota, as pedras é que pensam!

-É mesmo? O senhor acha é?

-Eu não seu maluco, são as pedras!

-Mas foi senhor quem disse!

-Disse o quê? Que essas pedras idiotas pensam ?

A essa altura da conversa, Rodin já não estava apenas gritando! Do outro lado de Paris, era possível saber o que acontecia naquela manhã fria de inverno! A imprensa que acompanhava atenta àquela insólita discussão, já estava preparando as manchetes para les journal du soir:

" Auguste Rodin ouve conselhos de pedras pensantes trazidas da Romênia pelo jovem desconhecido Constantin Brancusi. Ninguém sabe o quê as fenomenais pedras disseram ao mestre, nem mesmo o próprio Brancusi"

O jovem romeno acabou não sendo aprovado para entrar no atelier de Rodin! Ele foi seguir seu caminho isolado, longe dessas agitações! O ambiente do atelier não lhe agradou, percebeu que as pessoas não tinham domínio de suas faculdades mentais, desde o mestre que acreditava em conselhos dados por pedras e duas alunas que passavam o tempo inteiro tentando matar uma a outra! Enfim foi melhor para ele!

E as pedras? Continuam pensando até hoje, e alguns escultores acreditam.

Ricardo Kersting

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O dia em que Picasso quase perdeu a orelha.

Eu sempre achei que nós traçamos o nosso destino! Claro, não é tão simples assim como parece, mas penso que grande parte das pessoas que atingem o sucesso, tiveram o cuidado de projetar o próprio caminho!
Se me perguntassem o que eu espero da minha vida como escultor, eu responderia sem hesitar,
" eu quero o êxito e o sucesso de todos os meus projetos ". Para minha carreira tenho grandes
aspirações, não pretendo me contentar com pouco, penso alto e não sou modesto!
Se vou conseguir atingir os meus objetivos, isso é outra questão!

Eu costumo imaginar hipoteticamente uma conversa entre dois ícones da arte universal: Vincent Van Gogh e Pablo Picasso! Provavelmente Picasso tomaria a palavra primeiro, acho!
- E aí Van! O que pretendes fazer da tua vida? Pergunta Pablo com o cigarro apagado entre os dentes.
- Eu querro serr pintorr! Responde o irriquieto gênio tentando tirar uma casquinha duma ferida na orelha esquerda.
- Ué? Mas és o quê agora?
- Han? Eu querro serr o maiorr... Brada o holandês apontando o cachimbo na direção do espanhol como se fosse dispará-lo.
- E tu Pablo? Querres fazerr o quê?
- Eu? Eu quero vender as minhas telas em todas as grandes galerias no mundo inteiro e ganhar muito dinheiro, claro, ficar milionário! Respondeu o criador do cubismo recostando-se na poltrona!
- Venderr? Perguntou Vincent espumando saliva no canto da boca!
- Sim! Vender e aí? Picasso encolheu os ombros.
- Mas porrque venderr uma coisa que sua imaginaçon crriou? Venderr uma obrra prrima, algo que nasce dentrro do serr humano non poder serr vendido! Entendes?
Van Gogh já havia levantado da cadeira e enquanto falava chutava os móveis, comia tintas direto nos tubos e batia com as duas mãos espalmadas na cabeça quase arrancando os parcos cabelos.
Picasso olhou estupefato para o colega. Não conseguia entender o que se passava na cabeça dele!
Levantou, vestiu seu pesado sobretudo, colocou a manta e o chapéu e foi saindo devagarinho sem olhar para trás. Ao fechar a porta do quarto ainda podia escutar o esbravejar do holandês.

Já na calçada defronte ao prédio, Pablo voltou o olhar para a janela do aposento onde hipoteticamente acontecera a estranha conversa. Podia ver a silhueta esguia do pintor fazendo movimentos frenéticos como se estivesse quebrando tudo no interior do quarto.
Picasso retomou seu caminho sacudindo a cabeça negativamente e em pensamento ia dizendo " Doido varrido dos infernos, este és loco y mucho "

Se um encontro desses dois gênios pudesse realmente acontecer, a conversa entre eles seria impossível! Nem as poucas palavras que acabo de escrever!
Mas o que interessa mesmo é a conclusão! A grande diferença entre os dois, é que um escreveu o seu caminho delineou o seu destino! Pablo Picasso, o primeiro marqueteiro da arte que se tem notícia! Planejou ítem por ítem da sua trajetória, acho até que as suas mulheres faziam parte de um risco calculado! Em todos os sentidos até o encontro com Douglas Duncan, o fotógrafo americano que imortalizou o atelier de Notre- Dame de Vie, para mim não foi casual!
E então meus amigos, só poderia dar no deu, US$ 300.000 de patrimônio que despencou no colo da pobre Paloma!

E o Van Gogh? Coitado! Este não tinha a menor consciência do que estava acontecendo, nem com ele, quanto mais com a pintura dele! Mas ele parecia feliz! Só queria ser pintor, maior que o irmão dele o também atormentado, Théo Van Gogh.

Acho que os dois conseguiram exatamente aquilo que esperavam para as suas vidas! Cada um à sua maneira! Picasso morreu aos 93 anos, na condição que ele havia planejado, rico e famoso!
Van Gogh se matou aos 37 exatamente na situação que ele queria, deitado fumando o seu cachimbo, na miséria e desconhecido.

Eu?... Já disse qual o caminho que escolhi! E vocês?

Ricardo Kersting

O fauno cantor