quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cabeça de Fauno - Mármore 1996


Quando terminei essa peça imaginei ter conseguido sintetizar algumas ideias
interessantes para um tipo de composição no mínimo "estranha".
Me surpreendi com a reação negativa e até hoje não consigo aceitar..
O preconceito funcionou a todo vapor nesse caso..
Tenho certeza que o problema não estava exatamente contido
na escultura e nem em seu conceito, mas na assinatura da obra.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mulher com criança - Bronze 2006



Uma imagem apenas. Nada pode ser mais
significativo neste momento.

domingo, 22 de novembro de 2009

Homem moderno. Alumínio 1983. Uma autovisão.


A solidão é uma estrada pela qual todos teremos que andar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Unidas pelo vazio. Carrara


Uma questão abordada há algum tempo aqui neste blog
tratava exatamente desse conceito importante na escultura, o espaço.
O espaço é confundido frequentemente com ausência.
São grandezas distintas, começando que realmente a ausência absoluta
é impossível, enquanto o espaço é o todo possível na materialidade.
Concluindo: é tudo que existe.

Mas o vazio, ausência de matéria, tem uma importância igual ou superior
ao material completo no caso da escultura. Isso fica patente nessa pequena
peça acima.. Dois volumes essenciais unidos pelo vazio igualmente essencial
na concepção da obra. Sem essa união essa pequenina obra perderia o que
tem de maior, a força..

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Interferências da cor.



Sobre os "Pássaros Cibernéticos", esperava que as dobraduras em
sequência, fossem suficientes para alterar o efeito estético ao
todo na concepção das obras. No entanto, ao colocar "cor" em algumas
peças verifiquei uma alternância volumétrica espontânea, independente
da incidência de luz.. Essa interferência criou um espaço restrito
às próprias peças facilitando a identificação dos volumes.

Tanto na visão real quanto em fotos o resultado é interessante..
Independente da cor ou tipo de pintura, o efeito é instantâneo e objetivo.

A dúvida agora é saber até quanto essa interferência colabora com
a totalidade da mostra..A cor natural em algumas peças é essencial, noutras
a pintura parece se ancaixar perfeitamente..

Mais uma pequisa, mais um desafio..

sábado, 14 de novembro de 2009

Pássaros Cibernéticos - Da série Áquilas Formas.



Todas as peças desta mostra foram executadas a partir de material reciclado.. Chapas galvanizadas encontradas no lixo de uma obra.. A ideia é contrapor volumes através de consecutivas dobraduras..O tema são pássaros futuristas que se "autocriariam" numa alusão ao desconhecimento que temos em relação ao futuro do nosso lixo e sua reutilização. A mostra tem a pretensão de abrir uma discussão sobre o momento em que não teremos mais como processar nossos descartáveis..Podemos supor que de forma fantástica, o próprio lixo consiga se reciclar.. Como ficção ou humor mórbido, não seria nada tão extraordinário se pedaços de chapas, parafusos, peças de máquinas etc. se autotransformassem em animais robóticos..
"Pássaros Cibernéticos" é uma visão resultante deste pensamento..Simplório? Engraçado? Infantil? Exagerado? Eu não sei!! alguém sabe?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Portal das Águas - Granito cinza. 2005


Portal das Águas ficara esquecido dentre peças inacabadas..
Hoje quando cheguei no atelier não sei bem porque olhei para
um canto escondido..Ali havia uma quantidade apreciável de pedaços de peças,
algumas inteiras ou quase acabadas.
O portal era uma das primeiras peças na boca de um... buraco.
Não gosto de valorizar coincidências, nem outros eventos que fogem do meu controle...mas estou feliz por reencontrar essa obra.
Gosto muito dela.
A propósito das obras "jogadas" no terreno do atelier.
Estão muito bem ali..

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Portal das Eras. Arenito e bronze.



Esse é um dos portais que mais me agrada. Não tanto pelo significado, mas pela escultura em si..Penso que essa peça reúne o essencial estético, sem excessos e sintetiza a ideia naturalmente.. Os portais foram peças nascidas de um pensamento atemporal, em nenhum momento pesou sobre os projetos qualquer conceito estético, no entanto, o resultado é satisfatório sob todos os aspectos..Coisas que costumo atribuir ao acaso, porém sei que nem tudo pode ser colocado dessa forma..Às vezes aquilo que julgamos acontecer por acaso na verdade recebeu sua maturação longe do nosso olhar..Não vimos, portanto não conhecemos, mas não quer dizer que não exista.

Pode ser um pensamento...mágico! mas acho que os portais aconteceram cada um em seu momento, sem a minha ou qualquer outra interferência..Penso que fui apenas um instrumento nesse processo.. Quando olho para eles tenho certeza absoluta.. Estou muito feliz por isso..

sábado, 7 de novembro de 2009

Guardiã-Arame madeira e fibra de vidro - 1989


Não tenho tantas razões para passar em silêncio
em frente às portas que nunca abriram..
Algumas são como estrelas,
talvez nem existam mais..
Nem quero ficar de pé à beira
da loucura...talvez nem tenha mais
tempo para enlouquecer..

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bailarinas em movimento - Bronze 2007


E ao fundo..uma cidade desconhecida onde jaz
perdida a ilusão de uma juventude inteira..

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mãos - Fibra de vidro



Neste estudo sobre "A Capela" de Rodin, minhas
mãos posaram para mim...
Não poderiam ser outras mãos.

"Quero sentir minhas mãos tocando
as mãos de Auguste Rodin".

Desconstrução vegetal-Instalação 1995


Em tempos de Bienal do Mercosul voltamos quase que de forma clandestina, a refutar as obras contemporâneas.. Não frontalmente, mas há um ranço velado, se é que isso é possível, uma crítica descompromissada à contemporaneidade... Pessoalmente não tenho nada contra às obras de cunho conceitual, também nada me afeta as instalações..No entanto, sou obrigado a concordar com algumas broncas que tenho lido e ouvido por aí..

A instalação tem que obrigatoriamente obedecer alguns princípios básicos para que ela se caracterize..Estou falando em termos absolutamente "anticrítico" para que todo mundo entenda...Geralmente uma obra desse formato recebe uma franquia de espaço especialmente programada para ela, seja, o artista tem um limite espacial um pouco maior ou mais generoso que as outras manifestações.. Alguns entendidos afirmam que esse espaço não precisa ser ocupado em toda sua extensão.. Engano!! O espaço tem que ser ocupado SIM, nem que seja com mais espaço..Aí já começa a haver uma discussão que não tem nada a ver com a discussão que a própria instalação deve propor.

Então o espaço ocupado caracteriza a instalação, e esta tem que proporcionar ao espectador um direcionamento quanto à leitura.. Se o artista precisa de um tratado para explicar a sua obra, devo dizer que infelizmente ele fracassou...Há um procedimento muito utilizado ultimamente que é aquele do sujeito soltar por uma sala um milhão de coisas iguais.. Para isso ser uma obra legível, é necessária identificação dos objetos com a intenção do artista e um plano de leitura para que o espectador não corra o risco de olhar e não ver nada.

Infelizmente o que mais tem acontecido, é o cara escurecer uma sala e no fundo dela colocar um pequeno monitor com uma imagem repetitiva e um áudio chatíssimo...A primeira coisa que eu penso quando vejo isso é sair em busca do autor para que ele tente explicar a sua ideia...Nunca consigo fazer isso, mas também acho que não adiantaria.

Uma instalação "Desconstrução Vegetal" Na verdade a tentativa frustrada de reconstruír uma árvore.. Pelo menos foi essa a minha ideia.. Madeira torneada e as cascas da própria falecida...Esse o material que utilizei.. O formato obedece um planejamento prévio, que infelizmente não lembro mais qual é...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Portal dos Guerreiros-Arenito e bronze. 2001



Portal dos Guerreiros foi o primeiro portal da série..
Inicialmente pensei em criar uma imagem para um deus da Guerra.
Me veio à lembrança a figura de Taclac o deus da guerra do
império de Atlântida.. Mas não encontrei nenhuma evidência ou
referência a esse deus na lenda da civilização perdida.

Então ao criar o primeiro portal que deveria simbolizar um deus
guerreiro, resolvi homenagear a todos os guerreiros.. Há dois
signos interessantes nesse portal..Um é uma parábola dividida
no centro que desde primórdios é utilizada como símbolo feminino.
O segundo é um labirinto que em princípio não tem ligação alguma
com a guerra, mas sim com a cultura e a sabedoria..

Esse suposto paradoxo é encontrado em diversos locais antigos que
eram usados como santuários... Estes três elementos, o guerreiro,
a sabedoria e a mulher, eram sempre representados num mesmo nível
de importância.

O Portal dos Guerreiros, a primeira peça da série dos portais..
Uma coleção de difícil compreensão e pior ainda, aceitação pelo
público, mas talvez a série com a qual eu mais me identifique...

domingo, 18 de outubro de 2009

Mulher ao Sol - Mármore do Espírito Santo


Construção do movimento, busca do equilíbrio
num jogo de volumes... A parte mais excitante
dessa peça de dois metros e meio de comprimento e dois metros
de altura, foi exatamente compensar a força das massas
opostas.... Um desafio que gosto de refazer em todo momento..

Construção do equilíbrio, busca dos volumes, um jogo
de riscos e constante desafio...Amo demais isso...!!





Maquete para obra do mesmo nome..

domingo, 11 de outubro de 2009

Torsos Ímpares



Torsos Ímpares.
Dois enfoques diferentes sobre o mesmo tema.. Primeiro um torso baseado na série "Portais". Um volume superior força o movimento para trás como se um corpo estivesse iniciando um caminhar. Segundo, um torso da série "Corpofinito", perfeitamente identificável.. No decorrer do vídeo é fácil perceber que aparecem mais dois ou três torsos. Ao fundo "Lilith" da série "Mulheres Aladas" e um torso de alumínio também das Mulheres Aladas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nas trilhas dos Portais







Os Portais são santuários nos quais nossos antepassados
buscavam a compreensão de significativos enigmas.
Talvez isso nos conduza para uma metáfora vazia
já que se entende que santuário é algo físico perfeitamente
identificável. Já "portal" pode ser relacionado com diversas
decorrências. Por crer que os primeiros santuários não foram
edificados pelo homem, penso exatamente que lugares "santificados"
advinham diretamente da natureza e também eram abundantes.

Portal indica passagem, abertura e logicamente divina.
Nada nos impede de pensar que a afluência humana para algum
santuário era determinada pela expectativa de respostas às suas
mais intrigantes indagações...

Através dessas aberturas passariam as respostas. Vindas de onde?
Certamente de algum lugar onde vivessem os detentores do saber
que eram ninguém menos que os "Deuses". Seria perfeitamente
plausível que seres humanos reunidos em torno de um portal
aguardassem ansiosamente as respostas enviadas pelos Deuses através
dessas aberturas.. Talvez esperassem até...os próprios Deuses?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nanda -Carrara


Raras agora, após tantas
alas...poucas há neste ato
de fato pois nunca
voaram. Embora vivam
o sonho há tantas
horas...sonhado.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dueto das bailarinas aladas- Carrara



Há coisas que estão muito além da minha compreensão.
Qual será a verdadeira razão para tudo isso?
Estorvos que não servem para nada.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Auto-retrato. Não autorizado.


Óleo sobre tela. Sem data sem assinatura sem maiores explicações...e
sem nariz?

sábado, 19 de setembro de 2009

Terraço de Café à Noite.


"É tão fácil pintar um bom quadro como

encontrar um diamante ou uma pérola.

Significa obstáculos e você arrisca

sua vida por isso".


Vincent Van Gogh.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Princípio 1


Passei quase uma década longe do meu atelier. Durante esse tempo meu lugar de trabalho se transformou em sede de reuniões do Lions juvenil. Não sei se é exatamente esse o título do grupo e a gurizada ocupou o espaço sem deixar maiores rastros. Assim que saí deixei a figura do Giramundo suspensa pelo braço de arame na parede.

Quando voltei ele estava exatamente no mesmo lugar, porém com o acréscimo de um pequeno cartaz onde se lê: " Princípio 1 - Interesse-se sinceramente pelas outras pessoas".


O vagabundo nunca esteve tão apropriadamente colocado. Há mais de duas décadas ele ostenta seus andrajos nessa mesma parede, da metade deste tempo para cá, uma frase de múltíplos sentidos coloca-o numa dimensão acima das vaidades humanas.


Não sei qual dos jovens teve essa ideia. Talvez tenha sido uma coincidência, ou uma atitude juvenil movida pela curiosidade meramente especulativa. Na verdade isso não importa, o Giramundo adquiriu seu espaço. Penso que há coisas inexplicáveis fazendo parte de resultados. Pequenas coisas, mas por onde o mundo gira.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sonho entre sombras-Repouso de Helena-Carrara


Poucas vezes consegui materializar um sonho. Tanto quanto este dentre as sombras enquanto procurava por "Tarc". Te conheci numa escalada infinita e te trouxe para a realidade. Ainda repousas entre as brumas, como num sonho.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Giramundo vagabundo. Madeira-arame-bandagens.


Uma frase de Lin Yutang ecoa em minha memória: " O vagabundo sempre será imune às ditaduras". Na verdade a frase não é assim, pois não lembro integralmente. O livro "A importância de viver" é um baú de tesouros. Vou pedir ajuda à minha amiga Helena Erthal que é a única pessoa na galáxia que posso afirmar que além de mim, leu este livro. Ela certamente poderá corrigir a frase, mas o sentido é mais ou menos esse é o espírito livre do vagabundo que nos torna protegidos das ditaduras.


Essa peça de 1983 sintetiza as minhas ideias em torno da figura. Como posso transformar uma única obra em dois conceitos antagônicos. Giramundo é duas personalidades é um poeta e um vagabundo. Como poeta ele recebeu o tratamento nobre do bronze, viajou pelo mundo até se fixar numa coleção na Itália. Como vagabundo ele se mantém sob minha guarda. Seus farrapos dia a dia perdem partículas que alimentam traças. Toda vez que por descuido lhe toco, ele solta em meus olhos o pó de duas décadas. Entretanto essa é a forma que mais admiro e respeito. É como eu lhe dei a vida, Giramundo vagabundo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Avant Garde.- Ricardo Kersting e Nani


Na verdade a gente nunca tem a noção exata da importância que se representa para alguém.

Engraçado era ouvir nossos nomes vinculados a movimentos de vanguarda para outras pessoas parecíamos extra terrestres. Podíamos rir de todas situações e algumas atitudes nossas eram tidas como excêntricas, mas copiadas em muitos casos.


O que não nos ensinaram, se tentaram ensinar, certamente não aprendemos, era como lidar com coisas que escapavam tão fácil do nosso controle. A estampa vanguardista de repente se tornava pejo, apenas uma lembrança dos tempos de estudantes irreverentes, para rapidamente nos tornarmos ilustres desconhecidos, arremedos de ícones e finalmente marginalizados.


Fico impressionado ao perceber que em tão pouco tempo o mundinho das artes numa cidade grande fica estreito, rarefeito e elitizado. Neste englobar, muitos talentos se perdem muitos desistem antes de alcançar algum sucesso. Alguns se tornam conhecidos noutras paragens e isso é muito comum. Mas a maioria vira joguete nas mãos dos poderosos, impotentes tentando sobreviver à exploração moral e econômica.


"Ontem todos os meus problemas pareciam distantes". Paul McCartney.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A obra acabada.- Doris. Mármore do Espírito Santo.


Passei grande parte da minha estrada buscando o acabamento perfeito, o brilho, a luminosidade resplandecente ao ponto de refletir a incredulidade dos observadores. Quanto tempo perdido. Se o polimento significasse uma arte final teríamos que pensar em colocar os melhores porcelanatos em galerias de arte. Não somente como piso, mas como obras de arte prontas para o consumo. Ao estudar a escultura aprendi a valorizar a intenção do artista, não apenas o acabamento visível, mas principalmente tudo aquilo que ele deixou de "fazer" em seu trabalho e os motivos pelos quais ele assim procedeu.


Atrás da conclusão de uma obra, se esconde a essência da mesma. Muitas vezes o escultor entende que a peça, aparentemente inacabada, já cumpriu o seu objetivo. Ele imprimiu em suas formas tudo o que fazia parte de seu projeto. Quaisquer cortes, aprofundamentos, polimentos ou outro procedimento estariam tangenciando o excesso. A suposta falta não pode ser questionada, e nem é detectada por alguém alheio à concepção da obra, até porque isto pode nem ter passado pela cabeça do artista. Mas o excesso sim. Além de ser facilmente percebido, quase sempre denuncia a imperícia e a falta de domínio.


Não quero ficar criticando aqueles que buscam aprimorar o polimento de suas obras, são julgamentos exclusivos de cada escultor. Entretanto, da minha parte quero me dedicar mais profundamente às formas. A pedra tem que estar sob meu comando e nela vou gravar aquilo que compreendo como parte essencial da minha escultura.


Se o polimento fosse tão importante assim, poucas peças de Rodin, Michelangelo, Brancusi, Picasso, Moore e outros seriam consideradas concluídas.

domingo, 6 de setembro de 2009

Saudade


Das noites movidas à arte, Vernissages e a

música rolando. Final dos anos 80, era só para quem

sabia.

Essa turma da "pensada" que a vida tratou de unir

também por outros assuntos separou.


Da esquerda para esquerda (sempre): Ricardo Simsen, Marilha,

Dagoberto Soulué e eu.

A pessoa com quem estou falando, não faço a menor ideia quem

seja. Eram coisas que aconteciam depois das aberturas e das

fechaduras...

sábado, 5 de setembro de 2009

Touro de Miúra -Carrara


Algumas peças me frustram e eu as amaldiçôo.

Esta é uma delas.

Ficará morta entre a enorme coleção das inacabadas.

Toscas, abortadas....perdidas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Espaço vazio e o movimento futuro.


Afinal, o que é a escultura?


É uma pergunta subjetiva e ao mesmo tempo óbvia. Mas a resposta não existe.

Podemos afirmar que alguma coisa é escultura ou não, mas fora a definição de escultura, o que ela é mesmo? Eu não sei. Eu sei o que é a pintura, é a impressão de tinta sobre uma superfície.


A escultura é o espaço negativo, ou o "não espaço". Se existir um buraco no espaço, este buraco é a escultura. A obra escultórica é o preenchimento do espaço, ou a simples eliminação dele. A escultura não cria o espaço, pelo contrário, elimina o espaço existente. Entretanto a composição de uma peça necessita além do espaço inexistente, uma parte de "espaço vazio" que seria em última análise, o espaço positivo ou espaço real. A forma da escultura possue o espaço, ou joga com ele como se o mesmo fizesse parte material do conjunto. Estes espaços sempre interferem no efeito visual da obra, pois todo vazio pode ser preenchido, por luz ou por sombra.


A ideia de espaço vazio sempre foi a pedra no sapato de muitos escultores. Alguns não sabem o significado dessa equação e acabam interrompendo o movimento da obra de forma abrupta, o que determina uma peça sem harmonia. A questão de deixar uma escultura sem uma parte física, não significa que ela ficará incompleta ou sem movimento.


Imaginemos uma escultura famosa tipo a Vênus. O que falta nessa obra? Eu diria que nada, mas aposto que muitos pensariam nos braços. De fato a Vênus de Milo não tem os braços, mas e daí? Precisa tê-los? Claro que não, até acho que a nossa bela mulher ficaria muito estranha se aquele "espaço vazio" fosse preenchido. A partir de Auguste Rodin podemos criar um movimento sem que ele realmente tenha acontecido. É o movimento futuro. Mas que para isso seja possível, devemos prever um espaço onde este movimento caiba. Nada mais simples, um espaço vazio para um movimento futuro. Mas onde acontece este preenchimento de espaço vazio com um movimento futuro? É exatamente na estrutura da obra onde a "construção muscular anuncia que aquele espaço vazio será ocupado por uma forma em movimento, mesmo que isso nunca venha a acontecer fisicamente".


Essa é uma das partes mais interessantes e dificeis da escultura, fazer com que ela tenha movimento de membros sem precisar fazê-los. Então podemos afirmar que a Vênus de Milo tem braços, só que eles não aparecem. E nem precisa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Fragmentos-Mármore do Espírito Santo


Para encerrar um agosto nada convencional....



"Só por curiosidade ou por simples negligência resolvi reunir
pedaços de obras inacabadas e abortadas numa pequena coleção.
Quando percebi, essa coleção já se tornava uma das maiores que eu
pude conceber. Compreendi então que muitos fragmentos
eram parte importante do meu trabalho, não somente pela quantidade,
mas muito mais pelos projetos perdidos e ideias não aproveitadas que seriam
inseridas em outras obras importantes para minha trajetória.


Os fragmentos de nossa existência não devem influir nas caminhadas futuras,
no entanto, também não devem ser descartados, pois constituíram um momento
e certamente ajudaram muito na correção de alguns cursos.


Meu caminho não seria nada sem aquilo que deixei de fazer.
São alicerces invisíveis, porém aglutinadores de tudo que eu sou hoje".

sábado, 29 de agosto de 2009

Ainda o tempo-Mármore do Espírito Santo


Tempo que expõe suas verdades na calçada.

Parece tudo normal.

Normal é envelhecer ainda no caminho

de ser velho.

Velho?

É aquele que deixou de sonhar e

aposentou suas aspirações.

Eu quero sorrir, só isso.

Continuar caminhando com a minha cabeça

entre as orelhas,

com a minha visão e

tudo que vou aprender.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O homem angular.


Mármore do Espírito Santo peça de 1995. Série Poliedros.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dafne.


Mármore do Espírito Santo. Peça da série "Bailarinas"

sábado, 22 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Faces de luz


Mármore do Espírito Santo. Peça da série Poliedros.

sábado, 1 de agosto de 2009

Uma Deusa- Afrodite. Mármore de Carrara.



Tomo a liberdade para publicar a foto de "minha"Afrodite. A pessoa que serviu de modelo não viu a obra pronta. Pelo menos acho que não viu. Não quero errar por omissão. Desta forma aí está ela novamente. Uma deusa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Realismo Egípcio. Guerreiro morto.Mármore do ES.


Quando lembramos da escultura egípcia geralmente nos vem a imagem de esfinges monumentais, blocos de rocha imensos formando colossos à margem do Nilo. Em todos momentos as figuras com o mesmo rosto bem delineado sobre corpos de animais formando seres híbridos que estão além de nossa imaginação. Tudo isso nos faz pensar que os artistas egípcios jamais tiveram uma preocupação estética, um ideal de formas, além de somente satisfazerem
seus deuses ofertando-lhes estátuas e efígies que em nada lembrassem a realidade terrena. Entretanto em meio a essa tempestade votiva existiu um pequeno período, onde os escultores gozaram de plena liberdade para retratar os seres humanos como tais lhes pareciam. Um período curto é verdade, mas prenhe em realizações artísticas.

Isso aconteceu durante o reinado de Amen-hotep IV ou Amenophis ou ainda como se tornou mais conhecido, Akhenaton, (luz de Atón). Este homem ficou famoso por ser o primeiro e único faraó monoteísta no Egito. Podemos imaginar a repercussão de um reinado destes no Egito antigo. Se não ficasse famoso por isso, certamente ficaria por desposar Nerfertiti. A beleza da rainha ultrapassou os muros dos templos de Atón. Viajando os séculos chegando até nossos dias como a mulher mais linda da antiguidade. Graças as liberdades dadas aos artistas durante este reinado é que hoje podemos admirar toda essa beldade. A efígie de Nefertiti estabeleceu padrões para o rosto feminino que perduram até a atualidade.

Akhenaton ordenou aos seus escultores e pintores que deveriam retratá-lo e aos seus familiares, como realmente eram. Esse ato revolucionou as artes durante o seu curto reinado determinando novos valores para as proporções humanas. Neste momento acabaram aquelas figuras estranhas e desenhos de pessoas com o corpo visto frontalmente e as cabeças de perfil. As pessoas comuns, não somente os nobres, passaram a ter identidade e não como antigamente onde todos possuíam rostos iguais.

Nasce o "realismo egípcio". Algo que nos parece impossível, mas durante este pequeno espaço de tempo, os artistas, principalmente escultores puderam exercer a magia da liberdade em sua criação. O guerreiro morto, peça de 1995 é um estudo sobre esse momento da arte agípcia, onde a beleza era respeitada, assim como a dor e o sofrimento. Virtudes e sentimentos essencialmente humanos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Minimalismo. Em tudo. Foto: obra de Donald Judd


O movimento chamado "Minimalismo" foi criado nos anos 60 por um grupo de pintores. Apesar de ser concebido por pintores, o movimento atingiu o seu apogeu na escultura. Quando os escultores adotaram o construtivismo, imaginaram talvez que nada poderia ser mais contemporâneo, o minimalismo chegou e reacendeu a discussão. Donald Judd era considerado excessivamente geométrico até mesmo para os conceitos do construtivismo. Alguém ou ele mesmo, em 1960 enquadrou a sua escultura dentro da escola minimalista. A partir daí Judd exerceu a facilidade de síntese e o geometrismo despojado que eram considerados excessivos. Estranhamente, o minimalismo despreza excessos e magistralmente Judd inverteu os conceitos sepultando definitivamente o que havia se tornado um problema.


Mas todo movimento traz consigo uma gama de "aproveitadores" ou pseudo artistas. O minimalismo escondia e esconde até hoje, muitas das incompetências disfarçadas em "artes conceituais". Exatamente alguns que não sabem absolutamente técnica alguma, passaram a usar a suposta ausência de formas para imprimirem gestos em objetos sem alterações. Inicialmente, todos praticamente se enquadravam como "Dadaístas tardios", depois descobriram a brecha criada por Marcel Duchamp por onde entraram com tudo. A confusão de alguns se transformou na única alternativa para muitos. Os objetos do cotidiano tornaram-se suporte para a arte conceitual, porém com pouca ambientação estética, com raras exceções.


Minimalismo não significa ausência. É uma linguagem sem excessos e sintética. No entanto deve conter alguma ideia, pensamento portanto criação. A obra por si só deve ter o poder de transmitir essa ideia, exemplo da música, teatro, poesia e outras manifestações do gênero. As artes plásticas sofrem o prejuízo de não ter tanta facilidade de comunicação, porém também precisa de embasamento técnico o que não vem acontecendo na arte conceitual. Minimalismo não é arte conceitual, entretanto alguns recorrem a ele quando não conseguem explicar a sua obra.


Se perguntarmos para o artista plástico Tunga,(Antônio José de Barros Mourão) se a sua obra se enquadra como minimalista, certamente responderá que não. A poética de Tunga ultrapassou as fronteiras dos conceitos e isso é puramente "arte conceitual".

sábado, 18 de julho de 2009

Figura reclinada em duas partes-Henry Moore


A escultura moderna iniciou seu ciclo em Picasso e Henry Moore e fechou nesses mesmos artistas. Picasso provou que era possível realizar uma ideia sem precisar alterá-la. Inverteu a relação entre espaço e a matéria, de tal forma que suas esculturas de ferro mais pareciam desenhos tridimensionais. Alexander Calder conseguiu com o movimento dar leveza e suavidade às suas peças, já o mestre espanhol apostou no estático e conseguiu o mesmo resultado. Henry Moore tomou outra direção. Não se preocupou em tirar a massa de suas obras, pelo contrário, apostou nas formas gigantes. Suas construções eram inspiradas em titãs tais como árvores gigantescas e o maior animal terrestre, o elefante. Mesmo assim suas esculturas passam uma ideia de cálida ternura. Parece perfeitamente normal olharmos uma massa de cinco metros em bronze sobre um belo gramado. É tão aceitável quanto as ovelhas pastando ao seu lado. A questão é que Moore não deixou a monumentalidade interferir no resultado estético. O escultor inglês deixou ainda um legado importante. Talvez mais que a grandeza de suas esculturas. Ele provou que por mais que fragmentasse a figura, jamais desmembraria a sua ideia inicial. A maioria dos escultores modernos passou a enxugar as formas até a abstração total. Isso fez com que a figura deixasse de existir dando a impressão de que a peça final em nada lembrasse a original. Tanto que a escultura abstrata chegou ao ponto de não necessitar mais da realidade. Henry Moore manteve a figura intacta. No invés de abstraí-la, dividiu-a em duas, três ou mais partes. Entretanto a ideia original permaneceu perfeitamente identificável. Enquanto o cubismo fragmentava o conteúdo das telas sem a preocupação que o resultado fosse identificado, Moore permaneceu fiel ao figurativo criando uma escultura descritiva. Figura reclinada, na foto, é sem dúvida a sua peça mais representativa nessa linguagem. Talvez tenha sido a sua obra mais repetida em diversas posições e tamanhos. Partiu de figuras inteiras até chegar em pequenas partículas, depois remontou-a diversas vezes até definir quantas e quais seriam as obras construídas.


Henry Moore influenciou várias gerações de escultores. Talvez tenha sido o mais inspirador para artistas ocidentais. A verdade é que ele abriu caminhos importantes para quem iniciava o estudo de escultura nos anos cinquenta e sessenta. Facilitou em muito a comprensão da estilização aplicada à realidade. Os monumentos passaram a ter uma função alusiva e ao mesmo tempo passando uma mensagem clara sem ser direta. As peças em praças, parques e edifícios públicos podiam descrever uma alegoria de forma poética sem que fossem necessárias as figuras reais dos personagens.


Tudo isso devemos a Henry Moore, o mestre do gigantismo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Relevo - Carrara


Sempre me interessei por relevos. A parte das aulas de geografia que amedrontava os meus colegas, me fazia viajar. Uma pedra de granito, para mim era como um mapa. Em seu relevo eu imaginava um mundo, com montanhas, rios, cidade e oceanos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Nair- Mármore do Espírito Santo. Peça do acervo da Casa Arte Canoas.


Um pedaço de pedra. Em vão.
De nada serve é tudo tempo perdido.
Um pedaço de vida que será esquecido.
Neste caminho, onde tudo é ilusão.

Um pedaço de tempo esquecido
uma pedra perdida
uma vida iludida
um caminho em vão.

sábado, 11 de julho de 2009

Arte


Arte não é o resultado de um trabalho, por mais complexo que ele seja.

É a manifestação sobre o ser humano independente de sua vontade. Uma escultura, pintura, gravura ou performance são objetos ou atitudes como quaisquer outras. A arte é a força que fez com que essas obras existissem. A arte aconteceu enquanto o homem as produzia. Há uma tendência de chamarmos artista a qualquer pessoa que lida com algum produto dessa atividade. Para alguém se tornar um artista, não basta estudar arte. Isso somente lhe dará algum conhecimento sobre alguma técnica que irá lhe proporcionar habilidade para produzir algum objeto. Durante essa produção a arte se manifestará, mas se isso o tornará um artista, não sabemos. Um artista não cria apenas uma obra. Ele cria um novo pensamento sobre determinada vertente. Tem uma trajetória e durante essa ele estabelece conceitos e parâmetros. Estes elementos serão objetos de estudo, traçarão outros caminhos determinando divisores de linguagens. Poucos chegam nesse patamar. Alguns são chamados de gênios, outros são lembrados por sua trajetória e suas obras.


Uma certeza podemos ter, quando Vincent Van Gogh criou o "Girassóis", não estava pensando em decorar nenhum aposento com ele.

A arte estava em Van Gogh, suas pinturas são o resultado dessa manifestação. São obras "da arte", feitas por um "artista".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Repouso de Helena-Carrara (Detalhe)


Teu rosto sereno parece encoberto pelas brumas.

Como uma flor, sem pétalas, sem cor e nem perfume.


Só o silêncio.

domingo, 7 de junho de 2009

Bailarina alada-Mármore


A série "Mulheres Aladas" acabou engolindo parte de outras séries. Um exemplo "As Bailarinas" agora também ganharam asas. Na verdade penso que já tinham, mas só há pouco começaram a voar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Íris - Peça da série: Mulheres Aladas. Mármore.


Íris, a correpondente feminina de Hermes. Além de mensageira das deusas, Iris também é considerada a irmã e mãe das harpias. Mãe adotiva, pois sabemos que a verdadeira mãe das harpias é outra deusa. A simpática Electra.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ocípede. Mármore do Espírito Santo.


Ocípede, uma das Harpias. A única para quem os mortais podiam olhar sem desmaiarem de terror. Os gregos não acreditavam num ser totalmente horrendo. Compensando a cabeça demoníaca, as Harpias ostentavam um belíssimo corpo sobre patas de pássaro.
Peça da série "Mulheres Aladas"

domingo, 17 de maio de 2009

Formações II-Mármore-Matéria imutável.


Resgatei alguns abstratos antigos para continuar minando meus conceitos. De propósito.
A série formações teve uma vida curta, as vendas foram inexpressivas. No entanto há muitas ideias interessantes e uma delas eu coloco nessa postagem. Nunca abandono as soluções antigas. Minha cabeça era outra, meu estágio profissional idem. Nada indica que elas venham funcionar nos dias de hoje, mas quem sabe? Sempre voltamos na esperança de reeditar bons momentos. Porém tudo mudou incluindo nós mesmos. Na escultura a volta é mais frequente ainda. Isso se deve à natureza perene das obras, sobretudo as de pedra. A matéria não muda. Também não muda a linguagem da arte que segue uma linha reta ao infinito. E nessa linha há muitos trechos em que precisamos voltar um pouco para podermos prosseguir.

sábado, 16 de maio de 2009

Sila - Da série "Mulheres Aladas". Mármore do E.S.

Essa peça "Sila", abre uma nova fase da série "Mulheres Aladas". O despojamento e formas mais simplificadas são as marcas mais fortes desse trabalho. Entretanto, a busca de um conteúdo complexo continua. A simplificação de formas não significa que a série tenha perdido a sua identidade que é exatamente o compromisso com o movimento.

As possibilidades estéticas dessa forma menos densa das peças, crescem na medida que não há um limite predeterminado. A simetria que supostamente existe numa obra estritamente figurativa, fica vinculada apenas na harmonia dos traços que é uma aliada do escultor quando este não tem que se preocupar com a proporção.

Conclusão: começo a gostar muito dessa série. Parece inesgotável. Ainda bem..